* Eurico Teles
Os primeiros cem dias de gestão têm uma carga simbólica muito forte para as lideranças. É neste período que as linhas mestras da administração são lançadas, os traços principais dos projetos são desenhados e os primeiros embates nos mostram como lidaremos com os outros que ainda virão. Para quem está à frente de uma grande empresa, trata-se de uma fase de grande aprendizado, que coloca à prova habilidades técnicas e pessoais, como negociação com foco em resultados, conciliação de interesses, gestão de pessoas, comunicação interpessoal, entre outras.
Estou chegando aos cem dias como presidente da Oi, onde iniciei a carreira como estagiário, 37 anos atrás. Pode-se dizer tudo destes cem dias, menos que foi um período calmo. Entre os vários desafios enfrentados, o mais complexo foi o de liderar o processo de negociação e aprovação do plano de recuperação judicial da companhia. Com o apoio do time Oi e de parceiros que trabalharam arduamente para essa conquista, tive a felicidade de ver este objetivo alcançado. Em dezembro do ano passado, o plano de recuperação judicial da Oi foi aprovado em Assembleia Geral de Credores por ampla maioria: 100% na classe Trabalhista; 100% na classe Garantia Real; 72,17% na classe Quirografários; e 99,8% na classe Microempresas. Logo em seguida, em janeiro deste ano, o plano foi homologado pela Justiça e um outro passo importante foi dado: concluímos o pagamento dos credores que aderiram ao Programa para quitar os créditos de quem tinha até R$ 50 mil a receber.
Enquanto trabalho com a equipe da Oi nos desdobramentos do plano de RJ, nesses primeiros cem dias como CEO também tenho me dedicado bastante aos temas operacionais da companhia. Uma medida importante já adotada foi a definição de uma nova estrutura organizacional, com a criação de duas novas diretorias: a de Operações, já prevista no plano de recuperação judicial, que aglutina áreas ligadas à infraestrutura da Oi e que terá a missão de consolidar melhorias de qualidade e acelerar o processo de transformação digital da empresa; e a Comercial, que engloba áreas focadas no negócio da companhia e vai se dedicar a colocar a Oi em um novo patamar no mercado.
Outra medida importante nesse período foi a aprovação de um orçamento que reflete a visão de longo prazo estabelecida para a empresa no plano de recuperação judicial, com um plano de negócios para os próximos três anos. Também destaco o alinhamento feito pela administração da Oi junto ao Conselho de Administração, referente às medidas adotadas para promover melhorias no negócio e executar o plano de RJ. Outra iniciativa muito relevante foi a elaboração das metas para todas as áreas da companhia para este ano, item fundamental para execução dos projetos e para que todos tenham clareza de seus objetivos em 2018.
Acredito num modelo de liderança que busca equilibrar decisões estruturantes, que provocam grandes movimentos internos na companhia, com ajustes finos trazidos por pequenas medidas que impactam no dia-a-dia dos colaboradores. No primeiro caso, mencionaria entre as iniciativas já adotadas o redesenho do modelo de negócios da Oi por meio da transformação digital da companhia, a definição do foco do investimento em fibra e a revisão da forma de atuação das empresas do nosso grupo que fazem os serviços nas residências dos clientes.
No campo dos ajustes finos, estou me referindo a uma nova abordagem na gestão das equipes, para energizar o ambiente interno e imprimir um novo ritmo no negócio. Poderia citar aqui alguns exemplos do que já foi implementado: uma maior aproximação e valorização de nossas estruturas regionais, inclusive com agendas de trabalho que já realizei com nossas equipes em alguns estados; um encontro de boas-vindas que faço questão de manter todos os meses com os colaboradores que acabam de ser contratados, para que todos tenham clareza sobre nossa estratégia e da agilidade e excelência que precisamos na entrega dos resultados; e uma campanha interna que iniciei para engajar os colaboradores na transformação da Oi e, ao mesmo tempo, contribuir para a ampliação da companhia no mercado, por meio da conquista de novos clientes.
Se eu fosse resumir em uma mensagem meu objetivo com estas iniciativas e o trabalho feito nestes cem dias, diria que o que faz diferença em uma organização são as pessoas, e elas se movem pelo exemplo da liderança. O exemplo da liderança é o melhor combustível para despertar em cada um dos integrantes da equipe a percepção de como o trabalho deles pode ser decisivo na tarefa de transformar a companhia. Acredito sinceramente que a atitude de cada um pode fazer a diferença. Na condição de quem veio de uma família de 10 irmãos oriunda de uma cidade pobre no interior do Piauí (Piripiri) e chegou à presidência de uma das maiores empresas do país, sei bem o quanto a pessoa acreditar em si mesma e se esforçar ao máximo pode ser determinante em sua vida.
*Presidente da Oi
Cem dias de gestão na Oi
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